quinta-feira, setembro 14, 2017

Tempo

Eu sei, meu tempo aqui é limitado
Infelizmente, demasiado escasso
Sei que não poderei ler todos os livros que gostaria
Que não conhecerei todos os lugares que um dia sonhei
Há tantas belas paisagens que jamais verei!
Quantos grandes amigos pelo mundo que não conhecerei?
Pobre de mim
Tenho sonhos que não realizarei

Eu sei, meu tempo aqui é finito
E o que mais me tormenta nisto
É saber que uma vida só é pouco
Para te doar todo o meu amor
Para te dar longos e demorados beijos
Para te amar até saciar o meu desejo
Que triste paradigma este que vivo
Tenho um amor eterno
Porém, uma vida breve

quarta-feira, dezembro 02, 2015

O quarto

Passo as noites só, insone
No anseio de te reencontrar
É triste o leito vazio
Um quarto estranho, uma cidade estrangeira
Pela janela quase vejo um castelo
Num delírio penso ser o nosso lar
Uma morada em tempos antigos
Quando tínhamos todas as noites para nos amar

Sei que estás chegando
Borboletas voam e o dia começa a se alegrar
Quando chegas, trazes o sol nos teus olhos
Irradias o ambiente com amor
Aqueces o meu coração
Colocas fim à escuridão

Segurar tuas mãos é o momento mais sublime do meu dia
Teu sorriso, tuas risadas são o meu alimento
Na cumplicidade de dois amantes
O tempo flui preguiçoso
Vagaroso como o Tejo lá fora

Como em um encantamento que limita a felicidade
O crepúsculo é o prenúncio do fim
Suplico. Não vás! Fiques!
Ouças eu falar que te amo!
Uma última vez
Partes, eu fico
Os olhos já não te vêm
Tua voz não ouço mais
De ti, apenas o perfume
Ainda vivo no ar
Fugaz, inebriante

Queria que levastes-me contigo
Não suporto outra noite distante
Mas tudo que levas são as cores do Outono
E o sorriso dos meus lábios
Vejo os antigos casarões ficarem cinzas
Vejo faces desconhecidas sem esperanças
Sinto o frio cobrir o meu corpo
O peito aperta
Pesa o coração
Outra vez eu, lua, solidão
Prontos a te esperar em um novo dia

sábado, setembro 14, 2013

Tudo para dar errado

Desde que nos conhecemos
Tinha tudo para dar errado
Você tão diferente de mim
Pensamentos e atitudes tão opostas

Você sempre tão racional
Eu só coração, puro instinto
Você tão organizada
E eu perdido na minha bagunça
Como poderia dar certo?

Você preocupada com o amanhã
E eu nem aí para o hoje
Você tão possessiva me querendo só pra si
Eu um vagabundo sem dona nem rumo
Como poderia dar certo?

Você tão New York
Eu tão San Francisco
Você FI
E eu ABAP
Como poderia dar certo?

Apenas uma chance para nós
Não havia espaço para errar
Sem preocupação, deixamos rolar
Nos permitimos o envolvimento

Minha mão sobre a tua
Tua boca na minha
Diferença neste momento não existia
Então tudo foi acontecendo

Você me ensinou a planejar
Eu te dei asas para voar
Você me mostrou o futuro
Eu te ensinei a esquecer o passado
Como poderia não dar certo?

Você me deu motivos para querer mais
Eu te disse que você podia mais
Você me ensinou a amar
E eu provei que posso te fazer feliz
Como poderia não dar certo?

Apesar de ter tudo para dar errado
Superamos as diferenças e nos completamos por inteiro
Nosso amor cresceu e amadureceu
Hoje podemos dizer: deu certo!

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

San Francisco sem você


Ando pelas ruas de San Francisco e elas já não são mais as mesmas de outrora
Atravesso a Market Street, nem as luzes nem as cores me parecem muito brilhantes
Vou à restaurantes, peço os mesmos pratos e eles não têm o mesmo sabor de antes
Vou aos mesmos bares e as cervejas são tão amargas
Nas festas, as músicas não têm graça, tudo é tão monótono
Assisto ao pôr-do-sol no Pacífico, porém tudo é tão cinza
Os museus não são mais interessantes, são apenas velharias acumuladas
Nos parques e jardins não há flores, nem há cheiro de flor de cerejeiras no ar
Nem mesmo as praias da California são sequer resquícios do que eram
E quando para pensar no porque o mundo está sem graça
Percebo que não foram as coisas que mudaram
Não sou eu quem está diferente
É apenas você que não está comigo...

quarta-feira, agosto 29, 2012

O que eu sinto?

Ah, se eu soubesse escrever o que o coração me diz
Quisera eu traduzir em palavras o que me fazes sentir
Um amálgama de todos os bons sentimentos conhecidos
Com pitadas generosas de especiarias secretas
Que nem nós mesmos descobrimos quais são
Entre nós há algo inexplicável
Algo único que jamais fora experimentado antes
Muito mais do que amor
Bem além do tesão
É um viver sem fronteiras
É um querer eterno
É o descobrimento contínuo de novos sentimentos
Não sei descrever
Não sei explicar
Eu só sei sentir
E sei que quero isto para sempre

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Teu e meu

Quem dera pudesse eu
Acariciar agora o rosto teu
Provar o doce gosto dos lábios teus
Com a fome de um beijo meu

Perdido em sonhos eu
Espero pelos carinhos teus
Enquanto observo o esplendoroso e alvo corpo teu
Repousado sobre o peito meu

Ah, como queria eu
Beber da beleza dos olhos teus
Embriagar-me com o perfume teu
E depois perder-me neste corpo que agora é meu

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Primaveras

Era primavera em Porto Alegre
Você partiu e junto levou meu coração
Deixando no seu lugar apenas saudade e solidão

Ipês coloriam as ruas da cidade
Tons de amarelo e roxo no meu mundo tão cinzento
O cheiro das flores não te deixavam cair em esquecimento

Era primavera em New York
Eu cheguei e lhe entreguei todo o meu amor
Depois de meses de saudade teve fim minha dor

Tulipas coloriam as ruas da cidade
Cores vivas e vibrantes em um Central Park exuberante
O perfume das cerejeiras marcou aquele instante

Agora é primavera no Rio de Janeiro
Você chegará e me trará uma nova esperança
Serão dias felizes como férias na infância

Coqueiros colorem a orla da cidade
As cores do pôr-do-sol no Arpoador são inigualáveis, você verá
E a brisa suave com cheiro de mar à noite irá nos refrescar

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Eu te odeio

Odeio quando me tratas com indiferença
Odeio quando me beijas breve
Quando me negas um carinho e me abraças tão leve

Odeio quando não dizes todos os dias me amar
Odeio quando não retornas minha ligação
Quando estou carente e não vês minha solidão

Odeio quando me tratas com grosserias
Odeio quando me deixas a te esperar
Quando falas, falas e finges me escutar

Ao teu lado testo todos os meus limites
E descubro que tu fazes eu superá-los facilmente
Te odiando, aprendo que te amo cada vez mais

sábado, outubro 29, 2011

Marco 0

Esta data mudou minha vida
Foi o dia em que descobri o que é felicidade
Foi neste dia que descobri que posso ser feliz por completo
Neste exato dia, anos atrás, você iniciou uma transformação em mim
No início temi este estranho sentimento, até então desconhecido
Temia onde tudo isto poderia nos levar
Não compreendia a extensão e profundidade das mudanças que estavam acontecendo
O tempo passou, nosso amor cresceu
E em cada etapa eu me sentia mais feliz, mais completo
Você me descobriu, pois eu não me conhecia
Você me mostrou que eu era capaz, que eu podia mais
Você acreditou em mim e me fez acreditar também
Vindo do nada sem muita pretensão de onde chegar
Você me apontou o norte
Porém, mal sabia que era você minha sorte
Navegamos por mares existentes apenas em sonhos
Cruzamos estradas jamais percorridas
Nos banhamos em águas tão límpidas
Escalamos montanhas, vales, penhascos...
Você me levou a lugares que eu julguei ser impossível ir
Você me disse que para nós tudo é possível
Se hoje sou feliz
Se hoje tenho sonhos e planos
Devo tudo à você
Você me ensinou, você me satisfez
Hoje o impossível não existe, ou melhor, sim existe
Hoje o impossível é não lhe amar e viver sem você

segunda-feira, setembro 19, 2011

Meus medos

Tenho medo do escuro
Das sombras que da escuridão me espreitam
Tenho medo de navegar
De ficar à deriva em alto mar
Tenho medo de voar
De tirar os pés do chão e logo em seguida cair

Tenho medo de andar sozinho
De cair em um buraco qualquer sem ter ninguém para me dar a mão
Tenho medo de encruzilhadas
De seguir pela estrada errada
Tenho medo de me perder
De ir e não conseguir mais voltar

Tenho medo do amanhã
Do desconhecido que nele me espera
Tenho medo de tomar a decisão correta
Depois descobrir que estava errado
Tenho medo mesmo é de enlouquecer
De descobrir que o mundo não é real

sábado, maio 14, 2011

Sinto o gosto salgado da saudade...
Saudade que brota dos meus olhos
Corre rosto abaixo até cair e borrar a tinta neste papel

No papel, palavras dispersas
Carregadas de sentimentos
Representando lembranças

Ouso chamar de poema
Esta tentativa frustrada de aliviar a dor que sinto
Dor de não te ter, de não poder te olhar

Fraquejo quando penso em nós dois
Não consigo suportar a saudade
Este tempo que não passa é demais para mim

Te quero aqui, agora, ao meu lado
Quero segurar tua mão
Quero te olhar e falar que te amo

sábado, março 26, 2011

Carnaval é ilusão

Vivemos cinco dias enlouquecidos
Nus, despidos dos preconceitos que nos cerceiam o ano todo
Timidez, medo, pudor, vergonha, nada mais existe
Resumimos a vida a festas e bebidas
Esquecemos dos problemas
Das contas, dos estudos, do trabalho...
É como se a vida fosse pular atrás do trio
Dançar, pular, beber, sorrir, beijar...
Nada mais
Nada além disso importa

Doce ilusão esse tal carnaval
Nos faz pensar que tudo é tão fácil
Que a vida é tão simples
Nos faz crer que podemos ser sempre assim
Dias de praia curtindo o sol
Noites em claro fazendo festa
Nomes inventados na hora
Bebedeiras homéricas, risadas, gargalhadas
E quando chega quarta-feira
Está tudo acabado!

Você desperta e está de volta à realidade
Os dias voltam ao normal
Os problemas batem à sua porta
O dever lhe chama
E tudo o que resta destes dias surreais
São histórias que não podem ser contadas

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Inexplicável

Como é possível amar tanto uma criatura?
Amar ao ponto de nada mais fazer sentido
Ao ponto de sonhar junto os seus sonhos
De a querer ao seu lado para todo o sempre

Amar ao ponto dela estar acima de tudo
Ao ponto de esquecer da vida
De não ver o tempo passar quando se está com ela
De não se importar com o ridículo, com o feio ou o belo
De ignorar o que outros possam pensar ou falar do quão patético o amor pode ser

Amar ao ponto de não desejar mais ninguém
Ao ponto de ver o seu rosto em cada rosto na multidão
De perder a razão e viver inebriado

Não sou capaz de compreender nem sequer explicar
Se eu pudesse, talvez não seria capaz de amar
Não na plenitude que a amo

Assim, consciente, abro mão da minha lucidez
E me entrego de uma vez
Ao inexplicável prazer de te amar

terça-feira, julho 20, 2010

Grito

Grito por socorro
Mas ninguém me ouve
Minha voz ecoa nas vielas
Mas não tarda em silenciar

Grito sozinho na escuridão
Ninguém responde
Nem bêbados, nem cães...
Será que a chuva forte abafa o som?

Grito
Grito até ficar rouco!
E nem eu mesmo ouço...

sábado, julho 10, 2010

De todas...

De todas as pessoas que convivi
Em todos estes anos que vivi
Em todos os lugares que andei
De todas as lembranças que guardei
De todos os amigos que tive
Em todos os relacionamentos em que estive
Nunca tive algo assim como tenho com você
E jamais senti o que agora sinto por você